COMO AJUDAR AS CRIANÇAS COM TDAH

Antes de tudo, lembre-se que seu filho está tendo certas dificuldades não porque ele é ruim ou teimoso, e sim porque o TDAH leva a criança a agir diferentemente do esperado. É importante compreender os problemas sociais, familiares e escolares que o seu filho enfrenta e estar disposto a auxiliá-lo sempre.
            Procure refletir como seu filho pode estar se sentindo quando não consegue corresponder às suas expectativas. De nada adianta exigir mais que ele pode dar.
            A seguir algumas “dicas” e estratégias cognitivo-comportamentais, que funcionarão melhor quanto menos problemas os pais tiverem, quanto melhor for o relacionamento familiar e quanto menos sintomas de oposição e desafio a criança apresentar.

           
Dicas Gerais:
           
            Estabeleça prioridades

            Qual é a dificuldade mais importante da criança? Qual incomoda mais? Qual atrapalha mais o funcionamento dela? Pense e escreva todas as dificuldades da criança. Após faça uma classificação, colocando-as em ordem de prioridade. Estabeleça uma estratégia de manejo para a dificuldade maior.     Resolva esse problema, e só então passe a dar atenção para o próximo.            

            Pense antes de agir

            Frente a cada dificuldade da criança, tente pensar qual é a melhor alternativa de manejo. Quanto mais você pensar, mais chance o bom senso tem de prevalecer.
            Não esqueça que você é o modelo de identificação para seu filho. É difícil pedir para ele pensar antes de agir se você age antes de pensar.

            Use o reforço positivo antes da punição

            Essas crianças respondem melhor ao reforço positivo (prêmio/recompensa) do que às estratégias punitivas (castigo).
            Frente a um comportamento indesejado, como a constante dificuldade em esperar sua vez, determine qual seria o comportamento desejado: por exemplo, conseguir esperar a sua vez em uma fila no cinema ou para jogar. Assim, quando ela esperar a vez dela na fila, recompense-a com elogios, com um tempo extra de sua atenção, ou mesmo com alguma vantagem, como a possibilidade de comprar um saco de pipocas ou de balas. Isso é mais eficaz do que puni-la quando “fura” a fila.
            Acima de tudo evite as críticas constantes. Procure reforçar o que há de melhor em seu filho. É muito prejudicial para a auto estima de uma criança viver em um ambiente em que apenas os erros são sistematicamente apontados.

           
            Mantenha constância de estratégia

            Lembre-se que o TDAH muitas vezes é acompanhado de sintomas de oposição e desafio e que as crianças demoram algum tempo para aceitar uma nova maneira de os pais relacionarem-se com elas. Assim, ao decidir por uma estratégia de reforço positivo, ao invés da punição, para reforçar um comportamento desejado, continue a mesma estratégia por pelo menos um mês. Independentemente dos resultados obtidos no início. É importante manter a estratégia, independente do ambiente. Ambos os pais devem executá-la de forma similar, não adianta a estratégia ser executada por um dois pais e ser sabotado pelo outro.
                        Procure proporcionar um ambiente com rotina diária (hora fixa de fazer dever de casa, para almoço, jantar e para outras tarefas).
           

            Estabeleça uma comunicação clara e eficiente

            Estabeleça de forma clara os limites toleráveis para o comportamento do seu filho. As instruções devem ser passadas e os pedidos feitos um a um e relembrados sempre que possível. Muitas vezes, é útil que a família tenha em algum ambiente da casa um cartaz ou um quadro negro onde as regras mínimas de funcionamento estejam claramente escritas ou em forma de desenhos.

            Proporcione uma atividade física para seu filho

            A atividade física regular é importante para qualquer criança. Escolha atividades e jogos nos quais ela possa aprender e conviver com regras e limites. Esta é uma oportunidade de ela gastar energia de forma produtiva.

            Atenção focalizada

            Como as crianças com TDAH têm dificuldade de focalizar a atenção em uma única tarefa, algumas estratégias são bastante úteis. O ambiente de estudo deve ser o mais quieto possível, longe de televisão ligada ou de uma janela de frente para a rua, onde outras crianças estão brincando.

Estratégias específicas para o manejo de comportamentos:

            Construa um calendário contendo todos os dias da semana com a criança. Isso pode ser feito numa folha de cartolina ou num quadro negro. É importante que o calendário fique no quarto da criança em lugar visível. No domingo à tarde ou à noite, antes de iniciar a semana, sente com a criança. Estabeleça com ela um período diário de estudo de no mínimo 30 minutos e no máximo uma hora de segunda a sexta feira. Algumas coisas são importantes nessa combinação:
1. Em cada dia da semana, o horário de estudo pode variar de acordo com os outros compromissos da criança.
2. Deixe a criança escolher o horário que lhe parecer melhor. É importante que ela participe ativamente deste exercício de planejamento.
3. Estabelecido os horários é fundamental que eles sejam mantidos e não renegociados a cada dia. Inicialmente é necessário que a criança seja lembrada do horário de início a cada dia.
4. Combine com ela um reforço positivo (um prêmio/recompensa) para cada dia que ela conseguir seguir a regra estabelecida para aquele dia (pode ser um passeio, um sorvete, um horário para jogar vídeo game, ou uma atividade extra com você). Com adolescente este reforço positivo pode ser semanal (um passeio ou cinema no fim de semana, por exemplo).
5. No dia em que a criança não conseguir estudar no horário proposto, evite brigas e bate-bocas. Assinale para ela que não conseguiu cumprir o combinado e que, portanto, não terá direito ao “prêmio” daquele dia. Demonstre sua confiança de que no dia seguinte ela irá conseguir.

6. quanto mais nova a criança, menor deve ser o período de tempo exigido em uma atividade. Se necessário divida o período de tempo de estudo diário em dois horários intercalados por um período livre.